Sobre o Grupo Quatro a Zero

O Quatro a Zero vem trilhando um caminho peculiar na música brasileira. Faz uma música instrumental que tem como principal referência o choro, aprofundando-se na linguagem e nas sutilezas desta rica tradição musical. Ao mesmo tempo, realiza um alargamento das fronteiras deste gênero: de uma perspectiva contemporânea, promove o encontro do choro com outras linguagens, produzindo uma música original que transcende rótulos.

Seus integrantes também participam de outros projetos nas mais diversas vertentes musicais – do jazz contemporâneo à música erudita, passando por choro tradicional, música latina, samba, música regional, MPB e música pop. Essa amplitude de experiências, somada às pesquisas individuais que cada um desenvolve e oferece ao demais, confere ao grupo riqueza de elementos e potencial de desenvolvimento.

A essência da música do Quatro a Zero está na realização coletiva dos arranjos, que incorporam as diferentes referências que cada músico traz ao grupo, a partir de um repertório escolhido dentro do vasto universo do choro e que inclui também composições originais. A improvisação se faz intensamente presente – a espontaneidade individual ganha sentido na interação criativa entre os componentes –, assim como a juventude e o bom-humor – o quarteto dá atenção ao aspecto lúdico, presente no choro desde os seus primórdios.

De seu surgimento em 2001 aos dias atuais, o Quatro a Zero vem delineando uma rica trajetória de amadurecimento e colhendo crescente repercussão. Apresentou-se mais de uma centena de vezes em mais de 50 cidades brasileiras – de Porto Alegre-RS a Boa Vista-RR. Conquistou, em 2004, o 2º lugar no 7º Prêmio VISA de Música Brasileira e lançou no ano seguinte seu primeiro CD, Choro Elétrico. Em 2006 o grupo passou por uma fase de imersão na música de Radamés Gnattali que resultou num espetáculo em homenagem ao centenário de nascimento do maestro, com as participações de Toninho Ferragutti e Rafael do Santos. No mesmo ano participou de projetos culturais importantes como o Pixinguinha, excursionando pela região norte e o Circuito Instrumental Universitário, apresentando-se por todo o país ao lado do bandolinista Joel Nascimento. Em seguida envolveu-se numa profunda pesquisa a respeito do choro do interior do estado de São Paulo – “Memórias do Choro Paulista” – que resultou em seu segundo CD, Porta Aberta (2008). Com este projeto, o grupo circulou com oficinas e espetáculos por todo o interior do estado. Em 2009 o grupo passou por um momento difícil com o falecimento de um de seus fundadores, o baterista e percussionista Lucas da Rosa. Com o ingresso do baterista Lucas Casácio e o apoio de muitos amigos, o grupo atravessou um período de reconstrução que resultou no elogiado CD Alegria, lançado em 2011 com apresentações na Sala FUNARTE-SP, nos SESCs Campinas e Vila Mariana/SP e em SESIs do interior do estado.